Quem é do interior sabe que o destino fatal do filho é sair da casa dos pais para morar na Capital. Quando eu vim para Belo Horizonte, tinha 17 anos e um topete do tamanho do mundo. Mas a verdade é que morar longe de casa nunca me assustou muito. Eu, no alto da minha independência, achava que sabia tudo sobre ficar só. Claro que essa solidão era muito relativa. Eu dividia apartamento e estudava numa sala com mais 59 alunos. E sempre tive namorado. Emendando um relacionamento no outro, evitando o aprendizado de estar só.
Isso faz 11 anos. Acho que o meu topete diminuiu muito. Bem, talvez nem tanto assim. Mas depois de realmente morar sozinha, casar, me separar e novamente estar morando sozinha, posso dizer que uma coisa eu descobri: descobri a melhor companhia do mundo. Aprendi que adoro domingos livres. Adoro me demorar um pouquinho mais no banho; passar todos os creminhos que quase nunca tenho paciência para usar; dar banho de creme no cabelo com aquela toca ridícula que te faz parecer um pernil no forno. Adoro saber que tem uma taça de vinho bom e um filme bem água com açúcar me esperando numa terça à noite. E andar pelo Mercado Central escolhendo flores e comidinhas para a minha casa.
A verdade é que eu acho que a gente evita um pouco a convivência com nós mesmos. Talvez porque tenhamos medo do silêncio. Aquele preenchido por todas as dúvidas, todos os medos. E talvez porque a gente não aprenda bem, na nossa cultura de autoflagelo, a nos perdoar, a comemorar pequenas vitórias. E as grandes também.
A gente fica esperando que o outro nos preencha de tudo aquilo que nós mesmos deveríamos desenvolver. Que o outro nos dê alegria e nos acolha. Que nos embale nos dias de carência e que entenda a fúria da TPM. Ah, mas se a gente soubesse, se conhecesse esta partezinha nossa, lá no fundo, que brilha... Essa que é reflexo de tudo de divino que temos em nós. Porque a gente não é feito só de espírito de porco, né? Bem, se a gente soubesse, ia descobrir também que nós somos a melhor companhia do mundo. Bom domingo!
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