terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dia de Poesia

Hoje eu vi uma frase da Clarice Lispector:


"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar essa pessoa de nossos sonhos e abraçá-la".


Isso me lembra o poema Você e o seu retrato, do Cassiano Ricardo, que também me lembra Dorian Gray, do Oscar Wilde. Eu sempre tive pavor do livro e do poema. E agora com a frase da Clarice, o medo deu lugar a uma reflexão meio dolorida. Daquelas que só algumas lágrimas são capazes de proporcionar. A gente se apaixona pelo sonho, pelo retrato, que, eventualmente, são mais bonitos que a realidade. Embutimos as nossas expectativas nessas figuras estáticas, de uma beleza fria e inútil. E aí a gente começa a sentir saudade. Que bom seria, não é Clarice, se o retrato e o sonho se materializassem e corressem para os nossos braços? 


Por fim, me lembro de um último poema do meu adorado Fernando Pessoa:


"Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para enxergar as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela".

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