E, mesmo sem conhecer a Cris (que ela me perdoe a intimidade inevitável de leitora), fiz a minha própria versão do texto:
Sim, eu tenho 28 anos. E não, não tenho medo de envelhecer. Tenho medo é de depender dos outros.
Sim, eu sou uma pessoa ansiosa. E levou um tempo para eu amar isso também. Porque, sim, é isso que me mantém em constante movimento. É o que gera esta energia gostosa que eu tenho para quase tudo na vida.
Sim, eu me acho bonita. E tenho me achado cada vez mais. Talvez porque hoje eu me ame muito mais do que já me amei no passado. Talvez porque hoje a opinião mais importante sobre mim seja a minha mesma.
Sim, eu já fui casada. Por 1 ano e 5 meses. E sim, eu tive uma cerimônia linda da qual me orgulho muito. Não, eu não me sinto mais culpada pelo fim do meu casamento. Já passei por isso e decidi carregar menos peso na bagagem.
Sim, eu ainda acredito no casamento. Porque eu acredito no amor verdadeiro. Aquele em que duas pessoas escolhem estar juntas, mesmo sem precisarem disso.
Sim, eu me sinto sozinha às vezes. Mas eu aprendi a apreciar a minha companhia e hoje isso me faz muito bem.
Sim, eu sou apaixonada por cachorros. Talvez por ter descoberto neles uma fonte infindável de lealdade e amor. Ou talvez só por encontrar algo que receba o meu carinho sempre com alegria e sem cobranças.
Sim, eu sinto raiva. Não poucas, mas muitas vezes. Raiva de mim, mas raiva dos outros também. E este é um lado meu que eu também aprendi a perdoar e acolher.
Sim, eu falo muito. Gosto da atenção, gosto quando as pessoas riem das coisas que conto. Demorou muito tempo para que eu visse isso como uma qualidade.
Sim, eu estou aprendendo. Aprendendo a expressar os meus sentimentos sem medo do julgamento. Aprendendo a pedir colo. Aprendendo a rir das minhas mancadas.
Sim, eu sou intolerante muitas vezes. E isso me faz sofrer. Mas também tenho uma capacidade imensa de amar. E isso me faz perdoar.
Sim, eu sou passional e impulsiva. É o preço que se paga por colocar o coração em tudo que se faz. Fico feliz que hoje as minhas decisões demorem pelo menos o tempo de uma respiração.
Sim, eu choro. Choro quando estou triste, quando estou feliz, quando estou com raiva. Eu simplesmente choro. Como se o meu corpo ficasse pequeno para as emoções. Já tive muita vergonha disso. E quando aprendi a aceitar, passei a chorar um pouco menos.
Sim, eu caio. Mas sou ainda mais rápida em me levantar. Tenho muitos ombros de apoio. E quando não os tenho, eu invento alguns.
Sim, eu sou meio moleca. E esse é o meu lado de que mais gosto. A menina travessa, que adora pular elástico e brincar de Imagem e Ação.
Sim, eu quero ter um filho. Não para desovar nele todo o amor materno que pretensamente jaz latente em qualquer mulher. Mas para aprender com ele o que é o verdadeiro amor. Um filho que me ame assim. Bem assim.